Mundo

19/10/2017 17:33

Pelo sonho do tri, Alonso enfim renova com McLaren

(GRANDEPRÊMIO)

Está feito. Fernando Alonso vai continuar na McLaren na temporada 2018 do Mundial de F1. A permanência do bicampeão do mundo em Woking por pelo menos mais um ano, confirmada nesta quinta-feira (19), ficou ameaçada por um bom tempo por conta da fragilidade do motor Honda. Mas o fim do casamento entre a fábrica japonesa e a McLaren, que era vista como condição sine qua non para Alonso ficar, acabou se consolidando, e na esteira da saída da Honda, a Renault chegou para ser a nova parceira da equipe pelos próximos três anos. Assim, o espanhol, aos 36 anos, reencontra a velha conhecida que o ajudou a alcançar o topo da F1 na década passada, quando conquistou o título mundial em 2005 e 2006. 

O anúncio foi feito de forma curiosa, com a McLaren fazendo brincadeiras em sua conta no Twitter, com diferentes postagens que indicavam que a confirmação estava por vir. No fim, na última das postagens, com direito a cutucada na Honda, Alonso aparece dizendo: "nos vemos no próximo ano". 

Alonso jamais escondeu o sonho de lutar novamente por vitórias e por títulos. No entanto, desde que deixou a Ferrari de forma melancólica, em 2014, o espanhol falhou miseravelmente na sua tentativa de voltar a ser protagonista da F1. Não por sua culpa, em partes, uma vez que o projeto do motor Honda definitivamente não deu frutos desde quando começou seu novo caminho no esporte, em 2015. Só agora, depois de quase três anos e com o fim da parceria sacramentada, é que a unidade de potência começa a mostrar algum potencial. Sorte? Talvez da Toro Rosso, que vai receber os motores nipônicos a partir do ano que vem.

Se há alguma culpa de Alonso por toda a sua seca de vitórias e títulos, ela diz mais respeito às suas decisões, ainda que o piloto negue qualquer arrependimento: "Não tenho bola de cristal", disse recentemente em vídeo ao vivo com os fãs em sua conta no Instagram. Na contramão de Lewis Hamilton, que acertou em cheio ao deixar a McLaren em 2012 para assumir um projeto que mostrou-se pra lá de vitorioso e campeão na Mercedes, Fernando trilhou o caminho errado desde sua primeira passagem na McLaren, em 2007, quando deixou o time após desavenças com o próprio Hamilton e o então chefão do time, Ron Dennis.

Desde então, a carreira de Alonso degringolou, e o bicampeão perdeu as chances de ser ainda maior na F1. É bem verdade que, após dois anos com a Renault, em 2008 e 2009, o espanhol abriu passagem para uma união que parecia ser vencedora na Ferrari, seu velho desejo, para onde foi a partir de 2010.

Naquele mesmo ano, por exemplo, Alonso chegou muito perto do título, foi para a última corrida do ano como líder do campeonato, mas foi vítima da estratégia errada da Ferrari e também falhou retumbantemente ao não conseguir passar Vitaly Petrov no GP de Abu Dhabi, vendo o sonho do tri cair por terra com o título alcançado por Sebastian Vettel, o primeiro de quatro, naquela noite no Oriente Médio. Em 2012, Alonso e Vettel voltaram a brigar pelo título, mas o alemão, com um carro muito melhor, conseguiu empreender grande virada no segundo semestre e faturou a taça.

A última grande glória de Alonso na F1 já tem mais de quatro anos. Foi em 12 de maio de 2013, quando o asturiano venceu pela última vez no Mundial. Depois disso, foram poucas alegrias para o piloto, que viu Vettel chegar ao tetracampeonato e, no ano seguinte, acompanhou de longe a ascensão da Mercedes como a melhor equipe do grid e a consolidação do seu outrora grande rival como um dos melhores de todos os tempos em razão dos seus números pra lá de relevantes. Alonso, por conta das decisões que se mostraram erradas, estacionou.

© Fornecido por Grande Prêmio

Inspirado por Ayrton Senna e sua história épica pela McLaren-Honda, Alonso voltou à equipe britânica sendo o grande símbolo da marca japonesa, que voltava à F1 disposta a retomar o caminho das vitórias. Mas foram tantas as dificuldades que a Honda, dona de um passado tão incrível no esporte, virou motivo de chacota pelas inúmeras quebras e falta de performance. Alonso, que recebeu da Honda grande parte do seu polpudo salário, perdeu a cabeça e as estribeiras várias vezes, chegando a disparar contra o ‘motor de GP2’ da Honda na casa dela, em Suzuka, em 2015.

Desde sua volta à McLaren, Alonso teve como melhor resultado três quintos lugares, nos GPs da Hungria de 2015 e da Espanha e Estados Unidos, no ano passado. Mas foi uma jornada marcada por muito dinheiro, muitas reclamações e raras alegrias. Talvez, seu maior motivo de sorriso nos últimos tempos foi justamente a inacreditável participação nas 500 Milhas de Indianápolis, onde novamente pode se sentir competitivo e lutar pela vitória, o que há tempos não acontece na F1. 

Quando voltou ao grid depois de sua participação esporádica na Indy, Alonso só teve alguma razão para comemorar depois que viu seus desejos serem atendidos com a saída da Honda e a chegada da Renault. Fernando tanto fez que acabou tendo a chance de voltar a defender, ainda que não como equipe, a marca que o levou à primeira pole, à primeira vitória, às suas primeiras e maiores glórias no esporte até então.

Agora, com a permanência na McLaren assegurada e a reedição da parceria com a Renault, Alonso começa a trabalhar com um motivo que há tempos estava adormecido: voltar a ser protagonista e a brigar por títulos e vitórias no Mundial de F1. Se ainda há tempo? Só mesmo o futuro vai dizer.


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