Saúde

05/07/2019 16:19

Overtraining: treino em excesso é risco à saúde

(folhape)

Praticando musculação diariamente e futebol duas vezes na semana, o administrador Jonas Lima, 33 anos, teve uma lesão no tornozelo direito no fim do ano passado. Sem procurar um médico, ele suspendeu as atividades por um período e depois retomou a rotina de antes. O que ele não esperava era que, cerca de seis meses depois, teria outra lesão, desta vez na região interna da coxa. Só então ele foi a um profissional e passou a ser acompanhado por um fisioterapeuta para se recuperar por completo. "Atualmente, sempre me alongo antes de qualquer atividade e respeitando os limites do meu corpo", afirma.
Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) aponta que a prática de exercícios físicos intensos sem o tempo de recuperação adequado provoca alterações negativas em estruturas vitais do organismo como coração, fígado e sistema nervoso central.
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 Já é de conhecimento dos profissionais de saúde que esse tipo de treinamento intenso sem intervalos necessários leva à síndrome do overtraining, desencadeando sintomas como depressão, insônia, irritabilidade, queda na imunidade, perda de apetite e de peso. Mas a novidade desse estudo é que os prejuízos vão além da queda do rendimento.
O levantamento mostrou que há alterações negativas em órgãos vitais. Além disso, o desequilíbrio entre o excesso de exercício físico e o período destinado à recuperação está associado a uma inflamação em músculos esqueléticos, sangue, hipotálamo, coração e fígado. Para chegar a esse resultado, foram feitos testes com camundongos, submetidos a diferentes práticas de overtraining, a exemplo de corrida no plano, na subida e na descida, durante oito semanas.
O coração apresentou sinais de fibrose e também sinais moleculares de hipertrofia patológica. O fígado teve aumento da gordura que ocorre, por exemplo, em doenças como diabetes e obesidade. A inflamação no hipotálamo foi associada à diminuição do apetite e do peso corporal dos camundongos.
Personal trainer há nove anos, Amanda Rodrigues lembra que o exercício físico feito de forma regular e moderada, sob orientação de um profissional de educação física, é uma estratégia extremamente eficiente para a prevenção e tratamento de diversas patologias. Contudo, ela ressalta que é preciso respeitar um período adequado de recuperação, que varia muito em relação a sessões de treinamento e ao nível inicial de condicionamento do praticante. De forma geral, os especialistas no assunto dizem que um período entre 24 horas e 48 horas é suficiente para a recuperação.

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