Política

16/09/2021 08:27

Delegada aponta cessão ilegal de servidoras do governo para atuar em gabinete de juíza Selma Arruda e pede investigação em MT

A delegada da Polícia Civil Ana Cristina Feldner denunciou que três servidoras contratadas para ocupar cargos na Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp-MT) foram cedidas ilegalmente à 7ª Vara Criminal de Cuiabá, para atuar no gabinete da então juíza, Selma Arruda.

Nessa segunda-feira (13), a delegada encaminhou um relatório em que constam os depoimentos dos denunciados e pediu investigação às corregedorias da Polícia Civil e Tribunal de Justiça, e ao Ministério Público Estadual (MPE).

Os depoimentos foram colhidos pela delegada no inquérito policial ainda de 2017, que apura o esquema de grampos em Mato Grosso. Ana Cristina afirma que o inquérito já possui mais de 10 mil páginas.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) informou que a solicitação relacionada à juíza aposentada Selma Arruda já foi encaminhada à Corregedoria-Geral da Justiça e que o procedimento é sigiloso.

Em nota, a Polícia Civil comunicou que o relatório da delegada foi protocolado, nessa terça-feira (14), na Corregedoria Geral da instituição, sendo proferido o despacho para distribuição para um dos corregedores para análise e devidas providências.

G1 entrou em contato com o MP e com a Sesp-MT, mas não obteve retorno até esta publicação.

No relatório, a delegada aponta que os ex-secretários de Segurança Pública do estado, Rogers Jarbas e Gustavo Garcia, e a ex-juíza Selma Arruda cometeram crimes de improbidade administrativa, falsidade ideológica, falso testemunho e prevaricação.

 

Ela cita que Selma e Rogers Jarbas intermediaram a nomeação de servidoras à Sesp-MT, que depois passaram a atuar no gabinete da então juíza de forma irregular. No caso de Gustavo, a delegada diz que ele, em tese cometeu prevaricação, pois ao tomar conhecimento das irregularidades praticadas por Jarbas não tomou nenhuma providência.

Gustavo Garcia disse ao G1 que teve conhecimento sobre o relatório por meio da imprensa e que se manifestará apenas nos autos, quando for intimado. Ele afirmou que o procedimento foi encaminhado para a Corregedoria da Polícia Civil, que deverá apurar os fatos.

Já Selma afirmou que não houve irregularidade e que todas as servidoras trabalharam no Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira), ligado ao TJ. Ela diz que há perseguição por parte da delegada e que falta conhecimento jurídico.

"A ânsia dessa delegada em sobrecarregar o ex-secretário Jarbas acaba arrastando pessoas inocentes para uma vala comum de crimes que só ela enxerga. O Cira é um instituto encarregado de recuperação de ativos, tanto de corrupção quanto de sonegadores. Os serviços prestados pelas pessoas na Vara foram nesse sentido", explicou.

A reportagem tenta contato com Rogers Jarbas.


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