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Guia de natureza flagra jacu-estalo-escamoso em Alta Floresta

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Espécie rara foi fotografada na Reserva Particular do Patrimônio Nacional (RPPN) Cristalino. Registro foi repercutido nas redes sociais.

Um clique que ficou na memória. O guia Rafael Ferraz já trabalha há pelo menos 20 anos conduzindo interessados para o encontro perfeito com aves raras. No entanto, ele mesmo não conseguia imaginar o dia em que cruzaria com o jacu-estalo-escamoso (Neomorphus squamiger) e faria imagens belíssimas da rara espécie.

“Lembro que a primeira vez que soube da existência dessa ave foi em 2014, assistindo um programa Terra da Gente, gravado aqui mesmo na Reserva Particular do Patrimônio Nacional (RPPN) Cristalino. Agora, após alguns avistamentos sem chance de foto, eu consegui meu registro!”, escreveu em seu perfil nas redes sociais.

Morador de Alta Floresta (MT), Rafael conta que não estava guiando ninguém neste dia em que a ave apareceu. “Foi um dia que eu estava em off e foi pela manhã, eu não saí pra fotografar ele, saí pra ver outros bichos e ele acabou aparecendo”, relembra. A ave foi flagrada em março deste ano e seu registro ganhou repercussão na internet.

Raro e enigmático, o jacu-estalo-escamoso é uma ave de hábitos terrestres, que é muito difícil de ser observado. Possui a cauda longa, bico forte e pálido com a crista preta. O canto é profundo e oco, lembrado um pombo.

Diferenciado da subespécie do jacu-estalo pelo loro e garganta pálidos, com frequência é visto seguindo formigas de correição, além de bandos de queixada, grupos de macacos ou bandos mistos de aves.

‘Papa-léguas brasileiro’

O ornitólogo Fernando Igor de Godoy explica que os jacus-estalos são os “papa-léguas” brasileiros. “São da família dos cucos, anus e sacis. E embora seus parentes sejam muito mais fáceis de ver, os jacu-estalos tem hábitos muito mais ‘elusivos’, ou seja, ariscos”.

Habitantes de áreas de florestas densas e bem preservadas, esses jacus são muito rápidos ao perceberem a presença humana e conseguem se esconder facilmente. Por serem aves terrestres, geralmente preferem correr em vez de voar.

“Além de serem ariscos, vivem geralmente solitários e apresentam densidades populacionais baixas. Falando do jacu-estalo-escamoso em específico, ele apresenta uma distribuição ainda mais restrita, sendo endêmico dos interflúvios dos Rios Xingu e Tapajós. Mal se tinham fotografias ou filmagens desses bichos”, relata Fernando.

Segundo o Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (Salve) do ICMBio, a espécie é considerada Vulnerável (VU), estando sujeita à perda de habitat pela expansão agropecuária e incêndios florestais. Não tolera nenhum tipo de modificação em seu habitat.

Fonte: g1 MT

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