A Corregedoria da Polícia Militar informou que o suspeito foi exonerado da função de comando do 22º Batalhão, em Peixoto de Azevedo. Além disso, foi instaurado procedimento administrativo para a apuração dos fatos
O tenente-coronel da Polícia Militar Welington Rodrigues Mendonça foi conduzido à delegacia após ser acusado de importunação sexual, injúria real e ameaças durante uma confusão registrada na madrugada de sábado (24), em um posto de combustíveis na região da Praça 8 de Abril, no bairro Popular, em Cuiabá. O caso ocorreu durante um evento informal ligado ao chamado “esquenta do Carnaval” e está registrado em boletim de ocorrência da Polícia Militar.
Segundo o boletim de ocorrência, duas mulheres denunciaram que foram abordadas de forma insistente pelo oficial, que apresentava sinais visíveis de embriaguez. Conforme a narrativa, após uma negativa clara às investidas, uma das vítimas, servidora da Assembleia Legislativa, teria sido tocada de maneira indevida, com contato físico sem consentimento, caracterizando importunação sexual. A situação gerou reação imediata do grupo e tentativa de afastamento do suspeito.

Ainda de acordo com o registro policial, a amiga da vítima interveio para protegê-la e acabou sendo alvo de agressão física, tendo o braço segurado com força pelo oficial, o que configura injúria real. Mesmo após pedidos para que se retirasse do local, o suspeito teria permanecido, dando início a um conflito verbal que exigiu a intervenção de terceiros e o acionamento da Polícia Militar.
Durante a abordagem, o homem se identificou como oficial da PM, afirmou estar armado e se recusou a entregar a arma, apesar da solicitação da guarnição, feita em razão do estado de embriaguez e para garantir a segurança das pessoas presentes. Com a chegada de um oficial superior, o pedido foi reiterado, mas novamente negado. O boletim aponta que, nesse momento, o tenente-coronel passou a ameaçar os policiais militares e a proferir ofensas contra integrantes da equipe.
As vítimas relataram ainda que outras mulheres as procuraram após o episódio, afirmando terem passado por situações semelhantes envolvendo o mesmo suspeito naquela noite. Elas informaram também que o posto de combustíveis possui câmeras de segurança que podem auxiliar na apuração dos fatos.
O oficial negou as acusações durante o atendimento policial, alegando que apenas tentou iniciar conversa e que teria se afastado após a recusa. Ainda assim, diante do conjunto das denúncias, o caso foi comunicado ao comando da unidade, ao Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) e à Corregedoria da Polícia Militar.
O tenente-coronel foi encaminhado ao Plantão de Atendimento à Vítima de Violência Doméstica, Familiar e Sexual de Cuiabá para o registro formal da ocorrência e a adoção das providências legais cabíveis. As vítimas foram conduzidas em viaturas separadas. O armamento não foi recolhido no local.
Tenente-coronel exonerado
O militar responde civil e criminalmente e permanece em liberdade, condicionado ao comparecimento aos atos do processo.
Assembleia repudia assédio
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso também se manifestou sobre o caso. Em nota, o presidente da Casa, deputado Max Russi, repudiou o ocorrido, garantiu apoio à servidora vítima e afirmou que o Parlamento Estadual irá cobrar do comando da Polícia Militar a adoção das providências cabíveis, com rigor.
Segundo a manifestação, situações dessa natureza não podem ser toleradas e devem ser apuradas com seriedade, responsabilidade e justiça.



