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Os dados do IBGE que comparam a evolução do PIB municipal entre 2010 e 2020 revelam um cenário que exige reflexão. É natural que cidades mais jovens e com fronteiras agrícolas em expansão apresentem saltos percentuais maiores, pois crescem sobre uma base menor. No entanto, o que nos preocupa é o ritmo de Cuiabá.
A capital cresceu 98% em dez anos, atingindo R$ 23 bilhões. Embora o volume absoluto seja expressivo, o vigor dessa marca se dilui quando notamos que a nossa região não acompanha a dinâmica de desenvolvimento do estado. Enquanto polos do interior avançam a passos largos, Cuiabá e Várzea Grande apresentam os desempenhos mais tímidos da lista. O ponto central não é o mérito inegável do interior, mas o fato de a nossa região metropolitana estar perdendo fôlego e atratividade para novos investimentos.
Por que a capital não consegue acompanhar esse ritmo? Os gargalos são conhecidos: mobilidade urbana caótica, infraestrutura defasada e uma burocracia que muitas vezes afasta o empreendedor. Mas há um fator determinante que a CDL Cuiabá tem defendido com firmeza: a necessidade de uma justiça tributária real.
Há poucos meses, levamos à Assembleia Legislativa a urgência de uma redistribuição mais equilibrada do ICMS, por meio do Índice de Participação dos Municípios (IPM). Sem recursos proporcionais à sua relevância e aos desafios que enfrenta, Cuiabá perde a capacidade de investir na base necessária para seu fomento.
Somado a isso, o debate sobre o IPTU não pode ser ignorado. Defendemos que a revisão da Planta Genérica não seja apenas um instrumento de arrecadação, mas de equilíbrio e desenvolvimento. É preciso considerar as mudanças urbanísticas: quem possui melhor infraestrutura e valorização deve contribuir proporcionalmente, enquanto preservamos o teto de gastos para o setor produtivo. Não podemos permitir que empresas percam competitividade porque seus pontos comerciais foram desvalorizados por mudanças viárias, por exemplo, como o que ocorreu após obras da Copa ou agora, com o BRT.
Cuiabá completa 307 anos em abril. É tempo mais que suficiente para amadurecer. Mas maturidade também é saber reconhecer quando se está perdendo espaço. Precisamos discutir que cidade queremos ser em 2040. Queremos continuar crescendo abaixo do potencial do estado ou estamos dispostos a colocar na mesa propostas ousadas de desburocratização e planejamento urbano integrado? Se nós, setor produtivo e cidadãos, não tomarmos a frente desse debate, o poder público sozinho não dará conta.
É hora de pensar Cuiabá com visão de longo prazo para que o orgulho de ser mato-grossense seja sentido, com a mesma intensidade, em cada rua da nossa capital.
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CDL Cuiabá – Com 52 anos de criação, a CDL Cuiabá reúne cerca de 10 mil associados, principalmente dos setores do comércio e de serviços. O chamado setor terciário responde por cerca de 70% do produto interno bruto (PIB) de Cuiabá, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dois setores juntos geram cerca de 60% dos empregos formais da cidade, sendo os maiores empregadores da capital, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
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