segunda-feira, 1 junho, 2026

Educação profissional no combate à violência

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A economia de Mato Grosso tem crescido exponencialmente nos últimos anos e isso é algo que nos orgulha. Ocorre que isso precisa se refletir também de forma mais enfática na sociedade, especialmente entre os mais jovens.

Trago esta reflexão porque Mato Grosso é o sétimo Estado do país com maior taxa de homicídios entre pessoas de 15 e 29 anos. Esse dado consta no mais recente Atlas da Violência. A estatística leva em conta dados de 2014 a 2024 e revela um padrão cruel que atinge principalmente meninos negros e pobres das periferias urbanas e zonas rurais.

O problema da violência não é apenas policial. É social, econômico e educacional. E, nesse cenário, a educação profissional e tecnológica surge como oportunidade concreta de oferecer um futuro diferente do aliciamento pelo crime ou da morte precoce.

Historicamente, a vulnerabilidade social entre jovens em Mato Grosso está associada à falta de perspectivas de trabalho formal e de renda digna. Os postos de trabalho demandam qualificação técnica. Sobra para o jovem o subemprego, a informalidade ou o deslocamento para centros urbanos já saturados.

Nesse vazio de oportunidades, o tráfico e a violência armada preenchem o espaço e o Atlas da Violência é o espelho desse fracasso coletivo. Não se trata de naturalizar o crime, mas de compreender que, sem acesso a um projeto de vida legítimo, o jovem se torna presa fácil da letalidade estrutural.

É nesse contexto que a educação profissional e tecnológica se revela uma ferramenta estratégica de prevenção. Institutos Federais, SENAI, SENAC, escolas privadas e escolas técnicas estaduais (ETECs) oferecem cursos gratuitos em áreas como logística, informática, agropecuária, meio ambiente e gestão, entre outros setores com demanda crescente no Estado.

Quando fui secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci), entre 2023 e março de 2026, priorizamos a educação profissional. Também reformamos e entregamos as 17 Escolas Técnicas Estaduais, reformamos laboratórios e aumentamos de 688 para 10.415 a quantidade de alunos nos cursos técnicos profissionalizantes. Logo chegaremos a 15 mil.

Avançamos também na inédita ação de verticalização da EPT, que permitirá que alunos dos cursos técnicos das ETECs ingressem diretamente nos cursos correspondentes da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) sem necessidade de Enem.

Priorizamos a educação profissional e tecnológica porque os estudos demonstram que cada ano a mais na educação técnica reduz a probabilidade de envolvimento de jovens com atos violentos. Mais do que isso. A EPT conecta o jovem ao mercado de trabalho com mais rapidez, permitindo autonomia financeira e autoestima. Em Mato Grosso, onde muitas cidades têm baixos índices de empregabilidade formal para jovens, ampliar vagas na rede técnica é uma política de segurança pública indireta, mas poderosa.

Precisamos romper com o discurso de que jovem pobre só quer saber de crime. A experiência de programas como o Jovem Aprendiz, mostra que, quando há oferta de curso com bolsa-auxílio e encaminhamento ao mercado, o jovem aproveita a oportunidade.

Mato Grosso pode deixar de ser o sétimo estado que mais mata seus jovens para tornar-se referência em inclusão produtiva pela via tecnológica, mas isso exige coragem política. É preciso reconhecer que cada vaga aberta em um curso técnico é uma trincheira contra a violência.

 

Allan Kardec Pinto Acosta Benitez é professor, servidor público, mestre e doutor pela UFMT, membro da Academia Mato-grossense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso

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