A pouco do encerramento do prazo para a oficialização das candidaturas, o tabuleiro político de Mato Grosso voltou a sofrer mudanças significativas. Após anunciar o ex-secretário de Estado de Fazenda, Rogério Gallo, como candidato a vice-governador, o grupo liderado pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos) decidiu, na noite desta segunda-feira (3), bater o martelo pelo nome do deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) para integrar a chapa majoritária.
A decisão ocorreu após um dia de intensas articulações e reviravoltas nos bastidores da política estadual. Apesar da definição, lideranças políticas avaliam que o cenário ainda está longe de um desfecho definitivo, já que novas movimentações podem ocorrer até o encerramento do período de convenções partidárias.
A escolha de Fábio Garcia é vista como um gesto de aproximação com o União Brasil, partido que terá o ex-governador Mauro Mendes como candidato ao Senado e que viveu dias de tensão após a convenção da legenda realizada na semana passada.
Na ocasião, o senador Jayme Campos teve frustrada a tentativa de disputar o Governo do Estado. Inconformado com o resultado, o cacique do União Brasil fez duras críticas públicas ao processo de definição da chapa e chegou a chamar correligionários de “traidores”, evidenciando o desgaste interno da legenda.
Nos bastidores, a indicação de Fábio Garcia para a chapa de Pivetta é interpretada como uma tentativa de pacificar o União Brasil e prestigiar o grupo político de Mauro Mendes e Jayme Campos, reduzindo as divergências internas que surgiram durante as convenções.
Entretanto, se por um lado a movimentação pode amenizar a crise dentro do União Brasil, por outro abre uma nova frente de incertezas para a disputa estadual.
Isso porque o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi (Podemos), que pleiteava ocupar a vaga de vice-governador na chapa de Pivetta, poderá reagir ao desfecho lançando sua própria candidatura ao Governo do Estado durante a convenção do Podemos, marcada para esta terça-feira (4), em Cuiabá.
Caso essa possibilidade se confirme, Mato Grosso poderá passar a contar com uma terceira via competitiva na disputa pelo Palácio Paiaguás, alterando significativamente a dinâmica da eleição.
Analistas políticos avaliam que uma candidatura de Max Russi teria potencial para dividir apoios e influenciar diretamente o desempenho dos dois principais blocos que disputam o comando do Estado, liderados por Otaviano Pivetta e pelo senador Wellington Fagundes (PL).
Com o prazo para definição das candidaturas se encerrando, a expectativa é de que as próximas horas sejam decisivas para a consolidação das alianças e da configuração definitiva da corrida eleitoral em Mato Grosso.



