terça-feira, 25 agosto, 2026

Brasil parte para o Mundial de Bocha Paralímpica apoiado por programas de incentivo esportivo que ultrapassam R$ 20 milhões

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Com R$ 16,8 milhões do Bolsa Atleta, sendo R$ 11 milhões destinados ao público masculino e R$ 4,5 milhões ao feminino, e R$ 3,4 milhões da Lei de Incentivo ao Esporte, delegação brasileira busca resultados positivos na competição

O Brasil desembarca em Seul, na Coreia do Sul, para o Campeonato Mundial de Bocha Paralímpica, que acontece entre 24 de agosto a 4 de setembro, com o apoio de programas de incentivo esportivo que, somados, ultrapassam a marca de R$ 20 milhões destinado à modalidade, segundo levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva da Universidade Federal do Paraná (IPIE/UFPR).

Esses recursos estão divididos entre o programa Bolsa Atleta e a Lei de Incentivo ao Esporte (LIE) e colaboram para a manutenção estrutural da modalidade desde a iniciação esportiva até o alto rendimento, operando como o motor financeiro que permite ao país disputar os índices qualificatórios na condição de potência global.

A principal engrenagem desse ecossistema para a manutenção direta dos competidores é o Bolsa Atleta, que destinou R$ 16,8 milhões por meio de 729 bolsas concedidas entre 2010 e 2026. O perfil das concessões indica que o paratletismo masculino concentra a maior fatia dos recursos, com 476 bolsas que somam R$ 11 milhões enquanto o paratletismo feminino foi contemplado com 244 concessões e R$ 4,5 milhões em repasses. A distribuição orçamentária geral revela um foco acentuado nos atletas de alto desempenho. Sendo que a categoria Pódio absorveu a maior parte do montante repassado com R$ 9 milhões distribuídos entre 75 bolsas.

Geograficamente, o estado de São Paulo atua como o principal polo de talentos, abrigando 252 bolsas que representam mais de R$ 7,3 milhões do recurso total analisado.

O impacto prático dos repasses esportivos pode ser observado na consistência e na hegemonia dos principais nomes da seleção brasileira de Bocha Paralímpica. Atletas como Maciel Sousa Santos e Eliseu dos Santos somam 15 bolsas cada. Enquanto Maciel teve 11 de seus repasses viabilizados pela categoria Pódio, Eliseu dividiu suas concessões entre as categorias Pódio e Olímpica/Paralímpica/Surdolímpica. Na sequência, aparecem os paratletas José Carlos de Oliveira com 14 bolsas e Evelyn Vieira de Oliveira com 12 bolsas no período analisado.

Paralelamente ao suporte esportivo individual, a Lei de Incentivo ao Esporte garante a renovação da modalidade ao injetar R$ 3,4 milhões no fomento de 18 projetos institucionais selecionados entre 2019 e 2024. A vertente Educacional foi o grande destino dessas captações, viabilizadas pelo forte engajamento do setor corporativo, com destaque para a Vale SA, que investiu mais de R$ 1,6 milhão.

O Rio Grande do Sul lidera a aprovação e arrecadação de projetos regionais, enquanto a Associação Nacional de Desporto para Deficientes (ANDE) aparece como a maior captadora isolada. É essa estrutura articulada que assegura a competitividade do Brasil em um esporte de extrema complexidade tática e que tem no Mundial o seu principal teste da temporada.

Sobre a modalidade

A bocha paralímpica, também conhecida como boccia, é um esporte de precisão adaptado para atletas com paralisia cerebral grave e outras deficiências motoras severas. Diferente da bocha tradicional, o jogo não envolve força, mas sim estratégia e controle motor. Pode ser jogada individualmente, em duplas ou em equipes e é mista – homens e mulheres competem juntos e igualmente.

O objetivo é lançar seis bolas de couro o mais perto possível de uma bola-alvo branca, chamada jack. Os jogadores se sentam em cadeiras de rodas e utilizam as mãos, os pés ou um instrumento de auxílio, como uma calha, para impulsionar as bolas. A modalidade é dividida em quatro classes (BC1, BC2, BC3 e BC4), que agrupam os atletas de acordo com o tipo e o grau de sua deficiência, garantindo uma competição justa.

A Copa do Mundo de Bocha Paralímpica, também conhecida como World Boccia Cup, é uma das competições mais importantes no calendário da modalidade. O evento reúne atletas de alto rendimento de diversos países para disputar partidas individuais, em duplas ou por equipes.

Organizada pela Associação Nacional de Desporto para Deficientes (Ande), a etapa brasileira da competição faz parte do circuito mundial sancionado pela World Boccia e soma pontos importantes para o ranking internacional da modalidade, que integra o programa oficial dos Jogos Paralímpicos.

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