quarta-feira, 4 novembro, 2026

Max Russi nega repasse da Assembleia ao Tribunal de Contas: “Não existe um real”

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Presidente da Assembleia afirma que valores apontados pela Polícia Federal correspondem a ajustes orçamentários e não a transferências financeiras entre os órgãos

O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Max Russi (Podemos), negou, hoje (4), que o Parlamento tenha transferido recursos financeiros ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). A declaração ocorre após a divulgação de um levantamento da Polícia Federal (PF) que aponta a destinação de R$ 112,3 milhões em emendas orçamentárias ao Tribunal nos anos de 2025 e 2026.

“Não existe um real sequer da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso ao Tribunal de Contas de Mato Grosso”, afirmou o parlamentar.

Max Russi contestou a interpretação de que as emendas representariam repasses diretos entre os órgãos. Segundo ele, os valores mencionados na investigação correspondem a alterações realizadas durante a tramitação da Lei Orçamentária Anual (LOA), que define a distribuição dos recursos públicos estaduais.

“E da forma que a Polícia Federal colocou no seu relatório, parece que a Assembleia Legislativa destinou um recurso ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso. Então isso não existe”, declarou.

De acordo com o presidente da ALMT, o Governo do Estado encaminha anualmente a proposta orçamentária à Assembleia, onde os deputados podem apresentar emendas para ajustar os valores destinados aos órgãos públicos. Ele sustenta que essas modificações não representam transferências financeiras realizadas pelo Legislativo.

“Nós não temos lógica, não tem lógica, um poder transferir dinheiro a outro poder. É meio estranho”, acrescentou.

A manifestação ocorre no contexto da Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal em 29 de outubro. Conforme levantamento dos investigadores, o TCE-MT foi contemplado com R$ 50 milhões em emendas em 2025 e R$ 62,3 milhões em 2026.

A Polícia Federal questiona a forma como os recursos foram incorporados ao orçamento do Tribunal, especialmente diante do crescimento das despesas indenizatórias.

Outro ponto levantado pela PF é a falta de identificação individual dos parlamentares responsáveis pelas emendas. Segundo a representação, os valores aparecem no Portal da Transparência atribuídos genericamente a lideranças partidárias.

A investigação busca esclarecer a origem, a execução orçamentária e a destinação final dos recursos. Até o momento, os elementos apresentados não demonstram que todas as emendas tenham sido utilizadas irregularmente.

Max Russi afirmou ainda que as discussões sobre ajustes orçamentários dos poderes e órgãos autônomos ocorrem desde 2021, com a participação de representantes das instituições. O presidente da ALMT também manifestou respeito ao trabalho da Polícia Federal e defendeu a continuidade das investigações para esclarecer os fatos.

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