domingo, 8 novembro, 2026

Tão eficaz quanto remédio? Tese sobre exercício físico ganha força no tratamento da saúde mental

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No Dia Mundial da Atividade Física (06/04), especialistas analisam e explicam a conexão entre corpo, mente e qualidade de vida

A relação entre atividade física e saúde mental tem sido cada vez mais respaldada por evidências científicas consistentes. Um dos exemplos mais relevantes é uma recente e ampla revisão científica publicada no British Journal of Sports Medicine, considerada pelos próprios autores como a maior já realizada sobre o tema. O estudo analisou 1.079 pesquisas conduzidas em diferentes países, reunindo dados de quase 80 mil participantes, e apontou que a prática regular de exercícios físicos está associada a reduções significativas nos sintomas de depressão e ansiedade.

Segundo o estudo, os maiores benefícios foram observados em pessoas com quadros leves a moderados, especialmente com a adoção de atividades aeróbicas e de intensidade moderada. Os resultados sugerem que o exercício pode ter eficácia comparável a de intervenções como medicamentos e psicoterapia nesses casos, reforçando seu papel como uma estratégia acessível e complementar no cuidado com a saúde mental.

Diante do aumento expressivo dos transtornos mentais, evidenciado pelos relatórios “Saúde Mental Mundial Hoje” e “Atlas da Saúde Mental 2024”, da Organização Mundial da Saúde (OMS), que apontam mais de 1 bilhão de pessoas vivendo com condições como ansiedade e depressão, a atividade física se consolida como uma estratégia preventiva, além de um relevante recurso terapêutico complementar. Nesse contexto, a própria OMS recomenda a prática de, no mínimo, 150 minutos semanais de atividade física moderada, associada a benefícios significativos para a saúde mental e o bem-estar geral.

Segundo o Dr. Rodrigo Schettino, professor da pós-graduação em psiquiatria da Afya Itaperuna, baixos níveis de atividade física estão associados a maiores taxas de ansiedade e depressão. “O movimento regular libera endorfinas, melhora a autoestima e contribui para a regulação emocional”, explica. Ele ressalta que a prática consistente de exercícios pode gerar benefícios relevantes para a saúde mental, chegando, em alguns casos, a apresentar efeitos comparáveis aos da psicoterapia na redução de sintomas leves a moderados.

O especialista pondera, entretanto, que quadros mais graves, como depressão moderada a grave, transtorno bipolar e esquizofrenia, demandam tratamento medicamentoso como abordagem principal. Ainda assim, a atividade física atua como importante aliada no cuidado, contribuindo para a estabilização do humor e para a melhora da qualidade de vida.

A Dra. Mariana Ramos, professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, complementa as falas do Dr. Rodrigo, destacando que  a integração entre corpo e mente é uma relação essencial, embora ainda subestimada. Segundo a especialista, o que sentimos impacta o organismo, assim como nossas ações corporais influenciam emoções e pensamentos. Dessa forma, a atividade física passa a ocupar um papel relevante no cuidado emocional.

A prática regular também favorece a organização da rotina e traz mais previsibilidade ao dia a dia, além de fortalecer a percepção de autocuidado. Para a Dra. Mariana, o exercício pode funcionar como um momento de reconexão consigo mesmo. “Ao se engajar em uma prática corporal, a pessoa cria um espaço de pausa e escuta interna, o que é fundamental para a saúde emocional”, explica. Esse movimento contribui para que o indivíduo assuma uma postura mais ativa e consciente em relação ao próprio bem-estar.

Outro aspecto importante, segundo a especialista, não está na intensidade, mas na consistência e no significado da prática. Respeitar limites, preferências e a própria história é o que sustenta a continuidade ao longo do tempo. Quando a atividade faz sentido, ela deixa de ser uma obrigação e se torna parte da rotina. Além disso, práticas em grupo podem ampliar esses benefícios. “O coletivo fortalece vínculos, reduz o isolamento e cria uma rede de apoio que favorece a motivação e a manutenção do hábito”, conclui, ressaltando o sentimento de pertencimento como um fator relevante para a saúde mental.

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