Mato Grosso pode reduzir a dependência das rodovias para escoar a produção nos próximos anos com a expansão da malha ferroviária e o avanço das obras na BR-163. A avaliação é do empresário e ex-senador Cidinho Santos, que apontou a Fico, a Ferrogrão e a Ferrovia Estadual como principais alternativas para ampliar a capacidade logística do Estado.
A declaração foi feita nesta sexta-feira (2), durante o painel “Logística e Infraestrutura: O Futuro do Escoamento da Produção”, no Global Agribusiness Festival (GAFFFF), em São Paulo. Cidinho participou do debate como CEO do Grupo MC Empreendimentos e presidente licenciado do Conselho de Administração da Nova Rota do Oeste.
“Mato Grosso caminha para resolver os gargalos da produção com as ferrovias. Temos a Fico, a Ferrogrão e a Ferrovia Estadual. Nos próximos cinco a dez anos, Mato Grosso estará muito bem servido no modal ferroviário”, afirmou.
Na avaliação do empresário, a expansão das ferrovias é necessária diante do crescimento da produção agropecuária e industrial de Mato Grosso. Os novos corredores devem ampliar as opções de transporte e permitir que diferentes modais sejam combinados no caminho até os mercados consumidores e portos.

Cidinho também citou o avanço do etanol de milho como um fator que já ajuda a reduzir a pressão sobre a infraestrutura. Parte da produção de grãos passa a ser processada dentro do próprio Estado, diminuindo a necessidade de transportar todo o volume para outras regiões.
“Se não fosse o etanol de milho, teríamos hoje muito mais problemas de armazenagem e um déficit muito maior. Estamos transformando essa produção dentro do próprio estado, mas ainda precisamos avançar muito em infraestrutura e logística”, disse.
Para ele, a ampliação dos investimentos depende ainda de condições que atraiam o setor privado, como crédito com custos menores, segurança jurídica e maior previsibilidade em questões ambientais.
Além das ferrovias, Cidinho apresentou as obras em andamento na BR-163, principal corredor rodoviário de Mato Grosso e ligação entre regiões produtoras e rotas em direção ao Arco Norte.
Segundo ele, cerca de 5 mil trabalhadores estão mobilizados nas frentes de obras da concessão, que inclui intervenções de duplicação para melhorar o fluxo de veículos e as condições de segurança da rodovia.
O diretor-executivo da Ultracargo, Fernando Dihel, também defendeu a integração entre diferentes modais para reduzir a dependência do transporte rodoviário. Segundo ele, dependendo do destino, uma carga pode combinar ferrovia, rodovia e cabotagem, tornando a operação mais competitiva.
A armazenagem também entrou no debate. Elisangela Pereira Lopes, assessora técnica da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura, apontou a diferença entre o crescimento da produção brasileira e a capacidade disponível para armazená-la e defendeu maior atenção ao tema no planejamento nacional.
Já o CEO da Kepler Weber, Bernardo Nogueira, avaliou que o avanço da agricultura começa a abrir espaço para uma nova etapa de investimentos em armazenagem, logística e industrialização nas próprias regiões produtoras.
O GAFFFF foi realizado nos dias 1º e 2 de outubro, em São Paulo, reunindo representantes do agronegócio para discutir produção, infraestrutura, inovação e sustentabilidade.



