Segundo o delegado titular da Draco, Victor Hugo Caetano de Freitas, parte dos recursos era lavada por meio de empresas de fachada para beneficiar familiares da criminosa
Condenada a penas que somam 260 anos de prisão, Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, movimentava grandes quantias de dinheiro com o tráfico de drogas e outras atividades criminosas ligadas a uma facção que atua no extremo norte de Mato Grosso. Segundo o delegado titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Victor Hugo Caetano de Freitas, parte dos recursos era lavada por meio de empresas de fachada para beneficiar familiares da criminosa.
A atuação financeira e a posição de liderança de Angeliquinha foram detalhadas pelo delegado durante uma coletiva de imprensa realizada na manhã dessa quarta-feira (21). Responsável pelas investigações da Operação Showdown, deflagrada em março deste ano, Victor Hugo afirmou que a criminosa tem forte influência na organização, principalmente na região de Alta Floresta, e está ligada a atividades ilícitas que também alcançam áreas de garimpo em municípios como Nova Bandeirantes.
“Ela movimenta uma quantia de dinheiro muito alta com o tráfico de drogas e outras atividades ali relacionadas à organização criminosa, sobretudo nos garimpos daquela região de Alta Floresta, Nova Bandeirantes, e beneficia a família dela lavando dinheiro por meio de empresas de fachada”, afirmou o delegado.
A Operação Showdown, presidida pelo delegado Victor Hugo, investigou um esquema de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e jogos de azar que movimentou R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e meio. A apuração também envolveu familiares de Angeliquinha, apontados como participantes do esquema.
Durante a entrevista, o delegado destacou que as investigações também atingiram o patrimônio relacionado à organização criminosa. Imóveis, veículos e valores mantidos em contas bancárias foram alvo de medidas de apreensão e bloqueio, com o objetivo de descapitalizar o grupo e impedir que os recursos continuem financiando as atividades ilícitas.
Segundo o responsável pelas investigações, os bens e valores poderão ser revertidos à população de Mato Grosso, por meio do retorno dos recursos aos cofres públicos, conforme os procedimentos legais.
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Líder de facção
De acordo com Victor Hugo, Angeliquinha tem registros policiais desde os 16 anos e foi conquistando espaço na organização criminosa ao longo do tempo. Nascida em 1990, ela teria ampliado sua influência por meio da participação em crimes violentos, até alcançar uma posição de destaque na facção que atua na região de Alta Floresta.
“Desde os 16 anos até hoje, ela foi escalonando na organização criminosa. Ela vai adquirindo a confiança de outros membros, com a prática, sobretudo, de homicídios, vai ganhando a confiança de outros faccionados”, pontuou.
O delegado também atribuiu a ela o comando de diversos homicídios e a classificou como uma criminosa de alta periculosidade. Em declarações anteriores, ele afirmou que Angeliquinha ordenava cerca de 80% dos assassinatos ligados à facção em Alta Floresta.
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Capturada na Bolívia
Angeliquinha foi capturada em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, no dia 22 de setembro após fugir do sistema prisional de Mato Grosso. Ela estava entre os criminosos mais procurados do Brasil, figurando entre os oito mais procurados de Mato Grosso. A informação consta na Lista dos Procurados do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
Para o delegado do caso, a localização dela na cidade boliviana reforça a importância que a criminosa teria dentro da organização, já que o município é considerado uma referência para o tráfico de drogas e uma área estratégica para a facção.
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Após a captura, ela foi recambiada para Mato Grosso e voltou a ficar presa na mesma unidade de onde havia fugido, a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. Considerada de alta periculosidade, a detenta deverá permanecer isolada por seis meses, sem contato com outras presas.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para aprofundar o conhecimento sobre a estrutura da organização criminosa, suas conexões e a movimentação financeira relacionada às atividades ilícitas.
Veja trecho da coletiva com o delegado:





