Um mês após a execução do professor Breno Antônio Humberto de Moraes, de 25 anos, a família ainda tenta lidar com a perda. Nesta segunda-feira (26), o irmão gêmeo da vítima, Bruno Moraes, publicou um desabafo nas redes sociais e relatou a rotina de sofrimento da mãe, que chora diariamente diante de uma fotografia do filho assassinado.
Segundo Bruno, há 30 dias a mãe mantém o hábito de ir até a foto de Breno, conversar com ele e pedir sua bênção, como se ainda pudesse manter o contato com o filho.
“Diariamente eu tenho que ver minha mãe chorando com a falta do filho, todo dia, indo ali naquela foto, tomando bênção dele. Trinta dias que ela faz isso, 30 dias que ela conversa com o filho por aquela foto”, relatou.
No desabafo, o irmão gêmeo também destacou a trajetória da família e o esforço da mãe para criar os filhos. Ele afirmou que não deseja que outras pessoas passem pela mesma dor e lembrou as qualidades de Breno, descrito como uma pessoa querida, trabalhadora e dedicada aos estudos.
“Eu não desejo isso para ninguém. Ele era uma pessoa tão querida, tão trabalhador, tão estudioso”, disse.
Bruno também contou que ele e o irmão eram responsáveis pela fonte de renda da casa. Com a morte de Breno, afirma, passou a sustentar a família sozinho, além de enfrentar a ausência de quem dividia com ele não apenas o vínculo familiar, mas também os planos para o futuro.
“A fonte de renda da nossa casa, eu e ele, agora só eu”, desabafou.
Ao falar sobre o futuro interrompido do irmão, Bruno lamentou que Breno não tenha tido a oportunidade de realizar os próprios sonhos e conquistar os objetivos que desejava.
“[Tiraram] todas as possibilidades dele de ser o que ele queria ser, de conquistar o que ele queria conquistar”, afirmou.
Investigação do assassinato
O serralheiro Elias Samuel Delgado foi mantido preso pelo envolvimento no assassinato do professor Breno Humberto de Moraes, de 25 anos, executado com pelo menos 13 facadas em Várzea Grande. Elias passou por audiência de custódia em 10 de outubro e permaneceu detido preventivamente.
O corpo do professor foi localizado em 8 de outubro, em uma região de mata no bairro 13 de Setembro, VG, depois de ficar desaparecido por 12 dias. O local foi indicado à Polícia Civil pelo serralheiro Elias, de 26 anos.
Breno havia sido visto pela última vez com vida em 26 de setembro, quando subiu em uma motocicleta que, conforme a investigação, era seguida por um Toyota Corolla possivelmente conduzido por Elias. A Polícia Civil apontou a participação de outras duas pessoas além dele: o motociclista que transportou a vítima e um terceiro envolvido que teria estado no local do crime.
Elias confessou participação no homicídio após ser confrontado durante depoimento com elementos reunidos pela investigação. À polícia, apresentou como versão para o crime que estaria sendo chantageado pela vítima por supostas relações extraconjugais que ela estaria tendo. A alegação, entretanto, ainda é investigada e não foi confirmada de forma independente pela Polícia Civil.
Segundo o advogado do serralheiro, ele seguiu detido por força de outro mandado de prisão temporária expedido anteriormente, confirmando, no entanto, que ele foi mantido encarcerado preventivamente após a custódia. A defesa garantiu ainda que vai pedir a revogação, sustentando que não há necessidade de mantê-lo encarcerado durante as investigações, e que medidas cautelares serão suficientes.





