sábado, 24 outubro, 2026

Suspensão de voos entre Alta Floresta e Cuiabá gera forte impacto no turismo regional

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Decisão da Azul preocupa setor produtivo e acende alerta sobre a conectividade do extremo norte de Mato Grosso

A suspensão dos voos diretos entre Alta Floresta e Cuiabá, anunciada pela companhia Azul Linhas Aéreas, tem causado forte apreensão entre os empresários e representantes do turismo no extremo norte de Mato Grosso. A medida, que passa a valer a partir do dia 1º de julho, afetará diretamente o setor de turismo, com impacto previsto também em outras áreas da economia regional.

Em nota oficial divulgada na terça-feira (27), a Instância de Governança Regional (IGR) da Amazônia Mato-Grossense, entidade que representa os municípios turísticos da região, destacou que a decisão compromete o fluxo de turistas — especialmente os que visitam a região para pesca esportiva, ecoturismo e observação de aves — e prejudica o crescimento socioeconômico local.

“A suspensão do voo compromete diretamente o desenvolvimento econômico e social da Amazônia Mato-Grossense. Agrava o já crítico cenário de conectividade da região norte de Mato Grosso”, diz o documento.

Além do turismo, a suspensão dos voos afetará o deslocamento de profissionais, empresários, estudantes, pacientes em tratamento médico e outros cidadãos que dependem da ligação aérea com a capital, distante cerca de 800 quilômetros por via terrestre.

A IGR solicitou o apoio institucional do governo estadual, por meio da SEDEC (Secretaria de Desenvolvimento Econômico) e da SECEL (Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer), para viabilizar soluções técnicas e financeiras que garantam a continuidade da rota aérea.

A entidade também convocou parlamentares estaduais e federais, prefeitos, associações empresariais e a sociedade civil para unir forças em defesa da manutenção dos voos, considerados essenciais para o desenvolvimento da região.

Crise na companhia aérea

A decisão da Azul ocorre paralelamente à entrada da empresa em processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, o que indica que a suspensão dos voos não se dá por baixa demanda de passageiros, mas sim como reflexo de uma crise financeira que atinge a companhia.

A dívida da Azul ultrapassou R$ 31,35 bilhões no primeiro trimestre de 2025 — aumento de 50,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em nota, a empresa informou que está buscando reorganização financeira e operacional, e que já firmou acordos com parceiros estratégicos, como a United e American Airlines, com previsão de captar até US$ 950 milhões em investimentos.

Desabafo e indignação local

Diante da situação, cresce o sentimento de abandono entre os moradores e lideranças regionais. Em comentário feito no dia 30 de maio, o empresário Abrahão Lincon desabafou:

“Até quando Alta Floresta será tratada como um puxadinho de Sinop? Ou nossas entidades de classe e políticos agem para mudar essa situação, ou continuaremos sendo ignorados.”

A mobilização regional agora busca evitar que mais uma perda na infraestrutura aérea comprometa o potencial turístico e econômico da região, que já sofre com a falta de investimentos estruturais e de conectividade.

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