quinta-feira, 18 junho, 2026

Dallagnol critica CBF e cita influência de ministro de Gilmar Mendes na confederação

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Em vídeo nas redes sociais, ex-procurador da República faz críticas à CBF, cita contratos ligados ao IDP e questiona a influência de Francisco Mendes nos bastidores da entidade

O ex-procurador da República Deltan Dallagnol publicou um vídeo nas redes sociais em que faz uma série de críticas à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e questiona a influência de Francisco Mendes, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

Dallagnol inicia a gravação ironizando a recente convocação do atacante Neymar para a Seleção Brasileira. “Quem convocou Neymar fui eu. Quem disse isso? Não fui eu nem Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira. Também não foi o pai do Neymar. Sabe quem foi? Francisco Mendes, filho do ministro do STF Gilmar Mendes e o manda-chuva de fato da CBF”, afirmou.

Ao longo do vídeo, o ex-procurador relaciona a atuação do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), fundado por Gilmar Mendes, à administração da entidade máxima do futebol brasileiro. “Em 2023, a faculdade do Gilmar Mendes, o IDP, assinou um contrato com a CBF que lhe dava 84% da receita da CBF Academy, a maior instituição de ensino do futebol brasileiro. Só naquele ano, a CBF Academy faturou mais de R$ 9 milhões”, disse.

Dallagnol também menciona decisões judiciais envolvendo o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues. “Quando Ednaldo, presidente da CBF, foi destituído por fraude, ele entrou com um recurso no STF. O caso caiu com Gilmar Mendes, que não se declarou impedido e o recolocou no cargo”, declarou.

Na sequência, o ex-procurador afirma que a influência do grupo ligado ao IDP teria aumentado após mudanças no comando da confederação. “Surgiu um tal de Samir Xaud, um desconhecido de Roraima. Trinta e dois dos 40 maiores clubes votaram contra ele. Só que isso não importou. A revista Crusoé apurou que Xaud, aluno do IDP, foi sabatinado por Gilmar Mendes. Há especulações de que a escolha ocorreu por ele ser o mais disposto a atuar como preposto da família Mendes”, afirmou.

Segundo Dallagnol, integrantes ligados ao instituto ocupam cargos estratégicos dentro da entidade. “Hoje, não há um departamento da CBF sem alguém do IDP. Diretor executivo, financeiro e jurídico, todos vêm da faculdade do Gilmar”, disse.

O ex-procurador também citou reportagem do jornal O Globo ao abordar a sucessão no comando da confederação. “De acordo com O Globo, além de o filho do Gilmar ser o manda-chuva real da CBF, ele se movimenta para ser o próximo presidente da confederação”, afirmou.

Ao final do vídeo, Dallagnol declarou que o problema não estaria relacionado especificamente ao ministro Gilmar Mendes, mas ao que considera uma interferência indevida nas estruturas do futebol brasileiro. “A questão não é Gilmar Mendes. Poderia ser qualquer outro ministro. O absurdo é esse nível de interferência. Ministro escolhendo presidente, diretores da confederação, filho de ministro como CEO do futebol brasileiro, sem cargo, sem mandato e sem voto”, concluiu.

 

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