quinta-feira, 30 abril, 2026
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Paranaíta vira referência em piscicultura e movimenta economia local com apoio do Sebrae

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Município de 12 mil habitantes alcança posições de destaque na produção estadual e mostra como assistência técnica pode transformar cadeias produtivas no campo
Paranaíta, a 840 quilômetros de Cuiabá, vive uma expansão silenciosa e acelerada no setor de piscicultura. Com pouco mais de 12 mil habitantes, o município alcançou 928,95 toneladas de peixes por ao ano e ocupa o 14º lugar no ranking estadual, segundo dados da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT). O Brasil registrou 904,28 mil toneladas de pescado em 2024, enquanto Mato Grosso aparece entre os dez maiores produtores, com 41,66 mil toneladas, consolidando o estado na rota da piscicultura de água doce.
Esse salto ocorreu graças a um movimento conjunto que reúne Prefeitura Municipal de Paranaíta, pequenos produtores e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Mato Grosso (Sebrae/MT), que há cinco anos trabalha na organização e profissionalização da atividade no município.
Até 2018, a piscicultura em Paranaíta era uma atividade tímida. Havia tanques isolados, geralmente destinado apenas para consumo familiar. Poucos produtores comercializavam e, na agricultura familiar, nenhum fornecia para frigoríficos.
A virada começou quando o Sebrae iniciou um processo de organização produtiva com apenas nove produtores, que somavam 107 toneladas de peixe por ano. Hoje, cerca de 70 produtores são atendidos e respondem por 1/3 da produção anual do município.
O engenheiro de pesca e consultor do Sebrae/MT, Jailson Baumgartner, acompanha mensalmente os produtores e explica que o primeiro passo foi desfazer crenças e mostrar que a piscicultura exige técnica, cálculos e manejo profissional.
Segundo ele, muitos achavam que bastava colocar o peixe na água, mas isso mudou quando reorganizaram a atividade. “Nosso trabalho foi reorganizar o custo de produção, manejo, qualidade da água e densidade de peixes. Com a redução de 50% no valor da ração, a atividade se tornou viável e os produtores começaram a acreditar de verdade”.
O consultor Jailson explicou que a queda no valor da ração ocorreu com à intermediação do Sebrae e ao apoio da prefeitura, que disponibilizou caminhão para buscar o produto direto da fábrica. “Uma redução determinante para estabilizar a atividade”.
A partir dessa estruturação, de acordo com ele, a cadeia produtiva passou a contar com preparo adequado dos tanques, acompanhamento mensal, biometria, análises de água, manejo alimentar e orientação na comercialização.
Foto: Hubner Lima / HD Mídia Produções
A virada do produtor
O produtor Severino de Carvalho Vieira, do Sítio Serra de Sonhos, é um dos exemplos dessa mudança. Ele relata que sempre quis trabalhar com peixe, mas não tinha água e nem conhecimento. “Depois da primeira visita técnica do Sebrae Mato Grosso, tudo mudou. Segui as recomendações e os resultados foram imediatos: minha primeira despesca chegou a 1.700 quilos, a expectativa era de 1.300”.
Hoje, vende cerca de 300 quilos todos os sábados no próprio assentamento, além de fornecer para pesque-pagues da região e para frigorifico. Animado com os resultados, Severino planeja dobrar o número de tanques. “Foi a melhor coisa que fiz. O Sebrae me ajudou muito. Se a pessoa seguir a orientação e tiver dedicação, dá certo”.
O prefeito de Paranaíta, Osmar Mandacarú, afirma que a piscicultura se tonou uma das atividades mais desejadas pelos produtores rurais e um dos pilares do desenvolvimento local. Ele destaca que o Sebrae/MT ajudou a estruturar toda a base, ensinou desde a produção até a comercialização, oferecendo segurança ao pequeno produtor.
Segundo o prefeito, cresce o número de famílias interessadas em iniciar na atividade. “Tem mais produtor querendo entrar do que a capacidade atual do programa. É um problema bom de ter”.
Foto: Hubner Lima / HD Mídia Produções
Mercado em expansão
Para coordenador Regional do Sebrae em Alta Floresta, Adriano Cabreira, Paranaíta entrou definitivamente no mapa da piscicultura de Mato Grosso e demonstra como assistência técnica contínua pode transformar economias locais. Ele avalia que a tendencia é de expansão, com incorporação de tecnologia, aumento de produtividade e ampliação dos mercados ao atrair novos compradores.
“Paranaíta mostra o que acontece quando gestão pública, produtores e Sebrae Mato Grosso caminham juntos. A piscicultura deixou de ser uma atividade complementar para se tornar um vetor real de renda e desenvolvimento”, pontua Cabreira.
O trabalho conjunto permitiu que Paranaíta alcançasse posições de destaque no ranking estadual, consolidando-se como referência em piscicultura de água doce. A perspectiva agora é ampliar as capacitações, fortalecer o cooperativismo e buscar novos canais de comercialização.
Foto: Hubner Lima / HD Mídia Produções
Para produtores como Severino, a transformação é evidente. “Antes era um sonho distante, agora é minha principal fonte de renda”.

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