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Instituto alvo da polícia recebeu R$ 2,6 milhões em emendas de Chico 2000 para realizar corridas de rua em Cuiabá

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Recursos foram destinados pelo vereador entre 2024 e 2025

O Instituto Brasil Central (IBRACE), associação privada sem fins lucrativos fundada em 2021, em Cuiabá, recebeu pelo menos R$ 2,6 milhões apenas em 2024 e 2025, provenientes de emendas do vereador Chico 2000, para a realização de corridas de rua na Capital. Tanto o parlamentar quanto o instituto e o presidente da entidade, Alex Jones Silva, foram alvos da Operação Gorjeta, deflagrada pela Polícia Civil na manhã de hoje (27) para apurar um esquema de desvio de emendas parlamentares.

De acordo com a Gazeta Municipal de Cuiabá, em 2024 Chico 2000 destinou R$ 700 mil para o instituto realizar a 35ª Corrida Senhor Bom Jesus de Cuiabá; R$ 450 mil para a realização da 5ª Corrida do Legislativo; e R$ 450 mil para a realização da 1ª Corrida de Rua Popular.

Já em 2025, o vereador destinou R$ 400 mil para a 6ª Corrida do Legislativo e R$ 600 mil para a 36ª Corrida Senhor Bom Jesus de Cuiabá.

Além do vereador Chico 2000, do Instituto Brasil Central e de Alex Jones Silva, também foram alvos da Operação Gorjeta o empresário João Nery Chiroli e a empresa Chiroli Uniformes; os servidores da Câmara Municipal de Cuiabá Rubens Vuolo Júnior, chefe de gabinete do vereador Chico 2000, e Joaci Conceição Silva, lotado no gabinete do vereador Mário Nadaf (PV); além de Magali Gauna Felismino Chiroli.

LEIA MAIS: Chefe de gabinete, assessora de vereador, presidente de instituto e empresário são os alvos por desvio de emendas

De acordo com as investigações, os alvos se associaram com a finalidade de direcionar emendas parlamentares a um instituto e a uma empresa, e parte do dinheiro público era devolvida ao vereador Chico 2000, responsável pela destinação da emenda.

Tanto o vereador quanto os servidores foram afastados por ordem judicial.

LEIA MAIS: Chico 2000 é afastado do cargo de vereador de Cuiabá por esquema de “rachadinha” de emendas

Além dos afastamentos, a Justiça expediu 12 mandados de busca e apreensão e 12 ordens de acesso a dados armazenados em dispositivos móveis, além de ter fixado três medidas cautelares diversas da prisão contra seis investigados. Entre as principais medidas estão as proibições de manter contato entre si e com testemunhas; de acessar todos os prédios e dependências da Câmara Municipal de Cuiabá e da Secretaria Municipal de Esportes de Cuiabá; e de deixar a comarca, além da determinação de entrega dos passaportes.

Ainda como parte da decisão judicial, o Poder Executivo e o Poder Legislativo de Cuiabá também estão proibidos de contratar ou nomear quaisquer dos alvos investigados na operação.

Também foi determinado o bloqueio inicial de R$ 676.042,32 (seiscentos e setenta e seis mil e quarenta e dois reais e trinta e dois centavos) das contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de sete veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis.

As ordens judiciais foram expedidas pelo Juízo do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá, e as investigações são conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor).

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