Grupo é acusado de se associar com a finalidade de direcionar emendas e devolver parte do dinheiro ao vereador Chico 2000, que foi afastado do cargo
Pelo menos seis pessoas, um instituto sem fins lucrativos e uma empresa foram alvos da Operação Gorjeta, deflagrada pela Polícia Civil na manhã de hoje (27) para apurar um esquema de desvio de emendas parlamentares que teria como vítimas a Câmara Municipal de Cuiabá e a Secretaria Municipal de Esportes. O grupo é composto pelo vereador Chico 2000; o empresário João Nery Chiroli; os servidores da Câmara Municipal de Cuiabá Rubens Vuolo Júnior, chefe de gabinete do vereador Chico 2000, e Joaci Conceição Silva, lotado no gabinete do vereador Mário Nadaf (PV); Alex Jones Silva, presidente do Instituto Brasil Central (IBRACE); e Magali Gauna Felismino Chiroli.
A empresa Chirolli Uniformes e o Instituto Brasil Central também foram alvos da operação.
De acordo com as investigações, os alvos se associaram com a finalidade de direcionar emendas parlamentares a um instituto e a uma empresa, e parte do dinheiro público era devolvida ao vereador Chico 2000, responsável pela destinação da emenda.
Tanto o vereador quanto os servidores foram afastados por ordem judicial. Além dos afastamentos, a Justiça expediu 12 mandados de busca e apreensão e 12 ordens de acesso a dados armazenados em dispositivos móveis, além de ter fixado três medidas cautelares diversas da prisão contra seis investigados. Entre as principais medidas estão as proibições de manter contato entre si e com testemunhas; de acessar todos os prédios e dependências da Câmara Municipal de Cuiabá e da Secretaria Municipal de Esportes; e de deixar a comarca, além da determinação de entrega dos passaportes.
Ainda como parte da decisão judicial, o Poder Executivo e o Poder Legislativo de Cuiabá também estão proibidos de contratar ou nomear quaisquer dos alvos investigados na operação.
Também foi determinado o bloqueio inicial de R$ 676.042,32 (seiscentos e setenta e seis mil e quarenta e dois reais e trinta e dois centavos) das contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de sete veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis.
As ordens são do Juízo do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá.
Por meio de nota, a defesa do vereador Chico 2000 alegou que ainda não teve acesso à decisão que afastou o parlamentar, mas afirmou que está colaborando com as investigações. Após o acesso à decisão, a defesa informou que irá adotar as medidas judiciais cabíveis.
Confira a nota na íntegra:
A defesa de Chico esclarece que, até o presente momento, não teve acesso à íntegra da decisão judicial que fundamentou as medidas recentemente divulgadas.
Ressalta, contudo, que todos os esclarecimentos e documentos solicitados foram integralmente disponibilizados às autoridades competentes, bem como franqueado amplo acesso a informações e provas, demonstrando total colaboração com as investigações em curso.
A defesa reafirma seu respeito às decisões do Poder Judiciário, destacando que toda e qualquer medida judicial deve ser cumprida nos exatos limites legais.
Tão logo tenha acesso ao conteúdo integral da decisão, a defesa irá analisar tecnicamente seus fundamentos para, se necessário, adotar as medidas jurídicas cabíveis, sempre com serenidade, responsabilidade e confiança no devido processo legal.





