Cinco competidores representam Mato Grosso em Xangai e formam a maior delegação já enviada pelo estado; provas exigem precisão, velocidade e capacidade de adaptação.
Meses de treinamento para uma prova que eles nem sequer sabem qual será. Cinco jovens de Mato Grosso vão cruzar o mundo em setembro para representar o estado em uma competição mundial em Xangai, na China, onde parte dos desafios que terão de executar só será revelada na hora.
Mato Grosso chega à disputa com a maior delegação de sua história: são cinco competidores, número que coloca o estado com a quinta maior representação do país, à frente de polos como Rio de Janeiro, Bahia e Santa Catarina.
A competição mundial será realizada entre os dias 22 e 27 de setembro e reunirá mais de 70 competidores brasileiros.
Até lá, a rotina dos representantes mato-grossenses é de treinamento intenso. Como não sabem exatamente o que encontrarão nas provas, precisam se preparar para diferentes possibilidades dentro de cada modalidade.
Treino para o desconhecido
Geovanni Gabriel Quirino das Neves treina construção com concreto, formas, ferragens e diferentes estruturas. Uma parede curva construída durante a preparação, por exemplo, funciona como exercício para desenvolver as habilidades que poderão ser exigidas na China.
“A gente tem mais ou menos uma ideia do que pode acabar caindo, então a gente vem treinando um pouco de tudo”, explicou Geovanni.
Paulo Eduardo Nascimento de Jesus também passa horas aperfeiçoando técnicas de construção. Entre os exercícios estão a montagem de caixarias e ferragens.
Além da qualidade do trabalho, os jovens precisam aprender a controlar o relógio.
As provas serão distribuídas ao longo de quatro dias. Em uma das modalidades, os participantes terão 22 horas para executar as tarefas determinadas pela organização.
“Nós temos que executar em 22 horas, fazer algumas entregas onde a gente não sabe o que vai ser entregue lá”, explicou o instrutor Wenderson Campos de Oliveira.

Da moda de MT para Xangai
Para Myllena Vitória de Arruda Nogueira, o treinamento começa no papel. A jovem compete na área de design de moda e também só conhecerá detalhes do trabalho que terá de desenvolver quando estiver na competição.
Ela sabe, por exemplo, que terá de desenhar uma coleção, mas ainda não conhece qual será o tema.
“Eu tenho seis módulos: um módulo de desenho — nós sabemos que vamos desenhar uma coleção, qual coleção ainda não sabemos, vai saber na hora”, contou.
Por isso, Myllena treina diferentes possibilidades. Desenho, corte e construção de peças fazem parte de uma preparação que exige não apenas domínio técnico, mas capacidade de adaptação.
“Todas as possibilidades que podem cair lá nós temos que treinar e nos prepararmos mentalmente e fisicamente para conseguirmos nos adaptar àquilo”, afirmou.
A pressão das competições não é novidade para ela. Em 2023, Myllena conquistou a medalha de prata na WorldSkills Brasil. Dois anos depois, em 2025, chegou ao ouro. Agora, o próximo desafio será internacional.
Maior delegação da história de MT
Os cinco jovens formam a maior delegação que Mato Grosso já enviou para a competição.
Com o grupo, o estado terá a quinta maior delegação brasileira em Xangai, superando Rio de Janeiro, Bahia e Santa Catarina.
Mais de 70 brasileiros estarão na disputa mundial entre 22 e 27 de setembro.
Para os representantes de Mato Grosso, porém, a viagem vai além da busca por medalhas.
Paulo pretende seguir profissionalmente na área em que compete. Geovanni enxerga na formação uma possibilidade de transformar a realidade da família.
Uma das principais motivações dele é o irmão de oito anos. Geovanni quer que o menino enxergue nele uma referência para o próprio futuro.
“Ser a pessoa que vai conseguir mudar a sua família. Isso para mim é uma coisa muito importante”, disse.
Ele também espera que, no futuro, o irmão queira seguir seus passos.
“Espero ser igual a ele um dia. Espero que essas palavras saiam da boca dele um dia”, contou Geovanni.
De competidor a instrutor
A possibilidade de a competição transformar uma trajetória já é conhecida por quem acompanha os jovens.
O instrutor Wenderson Campos de Oliveira esteve do outro lado da bancada. Em 2015, foi medalhista e, após a competição, conquistou uma bolsa de estudos.
Ele se formou em Arquitetura e hoje participa da preparação de uma nova geração de competidores.
“A gente ganhou uma bolsa de estudos do Departamento Nacional e vários competidores… E assim, a gente tem um sonho de realizar esse sonho na vida de outros competidores também”, afirmou.
Para a diretora regional do Senai Mato Grosso, Fernanda Campos, a experiência também funciona como preparação profissional para os jovens que futuramente poderão atuar na indústria do estado.
“É uma visão de futuro, as competições educacionais, é uma preparação de um novo profissional diferenciado para a indústria do estado”, destacou.
Agora, depois de meses repetindo técnicas e simulando diferentes situações, os cinco representantes de Mato Grosso entram na reta final da preparação. Em Xangai, terão de colocar em prática tudo o que treinaram — mesmo sem saber, até a hora da prova, exatamente qual será o desafio.





