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Empresário do setor esportivo é alvo de operação que mira a Câmara de Cuiabá; vejo demais alvos

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A investigação apura um esquema de desvio de emendas parlamentares que teria causado prejuízo direto ao município, com foco Legislativo Cuiabano e na Secretaria Municipal de Esportes

Além do vereador Chico 2000 (PL), a Operação Gorjeta, deflagrada pela Polícia Civil nesta terça-feira (27), também tem como alvos o servidor da Câmara Municipal de Cuiabá Alex Jones Silva e o empresário João Nery Chirol, proprietário da empresa Chirolli Uniformes. A investigação apura um esquema de desvio de emendas parlamentares que teria causado prejuízo direto ao município, com foco Legislativo Cuiabano e na Secretaria Municipal de Esportes.

Também são alvos o chefe de gabinete de Chico 2000, Rubens Vuolo Júnior, Joaci Conceição Silva, lotado no gabinete do vereador Mario Nadaf, e Magali Gauna Felismino Chiroli. Conforme o Parlamento Municipal, os dois servidores terão a exoneração publicadas na Gazeta Municipal ainda hoje.

No total, estão sendo cumpridas 75 ordens judiciais e busca desmontar um suposto arranjo criminoso que, segundo a Polícia Civil, envolvia agentes públicos, empresários e entidades privadas na destinação e no retorno irregular de recursos públicos.

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Vereador Chico 2000 (PL) e o empresário João Nery Chirol. – Foto: reprodução Instagram.

Esquema sob investigação

As investigações são conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) e apuram a prática de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Conforme os indícios reunidos, o grupo teria atuado de forma coordenada para direcionar emendas parlamentares a um instituto sem fins lucrativos e a empresa de Chirolli.

Parte dos valores repassados, de acordo com a apuração, retornava ao parlamentar responsável pela indicação da emenda, em um mecanismo que simulava legalidade, mas que teria como finalidade a apropriação indevida de recursos públicos.

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Chirolli Uniformes. – Foto: Leandro Agostini.

Mandados e medidas judiciais

As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá e incluem 12 mandados de busca e apreensão e 12 autorizações para acesso a dados armazenados em celulares e outros dispositivos eletrônicos. A operação mobiliza mais de 40 policiais civis, vinculados à Diretoria de Atividades Especiais (DAE).

A Justiça também determinou a suspensão do exercício da função pública de dois servidores da Câmara Municipal e o afastamento do vereador Chico 2000 do mandato parlamentar.

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Chico 2000 foi afastado do cargo por determinação judicial. – Foto: Câmara de Cuiabá.

Restrições e cautelares

Além das buscas e afastamentos, foram impostas medidas cautelares diversas da prisão contra seis investigados. Entre elas estão a proibição de contato entre os envolvidos e com testemunhas, o impedimento de acesso às dependências da Câmara de Cuiabá e da Secretaria Municipal de Esportes, além da restrição de saída da comarca e a entrega obrigatória de passaportes.

Como parte da decisão, o Poder Executivo e o Poder Legislativo do município estão proibidos de contratar ou nomear qualquer um dos investigados enquanto perdurarem as medidas judiciais.

Bloqueio de bens e contratos suspensos

A operação também avançou sobre o patrimônio dos alvos. Foi determinado o bloqueio inicial de R$ 676 mil em contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de veículos, embarcação, reboque e imóveis ligados aos investigados.

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Mandados sendo cumpridos na sede da Câmara de Cuiabá. – Foto: Leandro Agostini.

A Justiça ordenou ainda a suspensão das atividades do instituto investigado e a realização de auditorias pela Controladoria-Geral de Cuiabá em todos os termos de parceria firmados com o Município. A Prefeitura também fica impedida de realizar pagamentos ou novas contratações com as duas empresas investigadas no esquema.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam e que a análise do material apreendido poderá resultar em novos desdobramentos da Operação Gorjeta.

O que diz a defesa de Chico 2000

A defesa do vereador Chico, patrocinada pelo advogado Alaertt Rodrigues da Silva, afirmou, por meio de nota oficial, que ainda não teve acesso à íntegra da decisão judicial que embasou as medidas recentemente divulgadas no âmbito da investigação que envolve o parlamentar. Segundo os advogados, a falta de acesso ao conteúdo completo do despacho impede, neste momento, uma análise técnica aprofundada dos fundamentos adotados pela Justiça.

Apesar disso, a defesa sustenta que todas as informações e documentos solicitados pelas autoridades foram integralmente apresentados, além de ter sido garantido amplo acesso a dados e provas, como forma de demonstrar colaboração com as investigações em andamento.

No posicionamento, os advogados destacam ainda o respeito às decisões do Poder Judiciário, ressaltando que as determinações judiciais devem ser cumpridas estritamente dentro dos limites legais estabelecidos.

A defesa informou que, assim que tiver acesso ao teor completo da decisão, fará uma avaliação técnica detalhada para verificar a necessidade de eventual adoção de medidas jurídicas cabíveis. O procedimento, segundo a nota, será conduzido com serenidade, responsabilidade e confiança no devido processo legal.

Posicionamento da Câmara de Cuiabá

A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), afirmou que o Legislativo municipal colaborou integralmente com as diligências realizadas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) no contexto dos desdobramentos de uma investigação conduzida pela Polícia Civil, com autorização judicial.

Em nota à imprensa, a parlamentar destacou que a atuação da Câmara se deu de forma institucional e colaborativa, cumprindo determinações legais expedidas no curso da apuração. Segundo o posicionamento, a Casa Legislativa não é alvo de investigação, limitando-se a atender às solicitações das autoridades competentes.

A presidente ressaltou ainda que a condução dos trabalhos à frente do Poder Legislativo tem sido pautada pela responsabilidade, firmeza e respeito às instituições, reforçando o compromisso da Câmara com a legalidade e o fortalecimento da democracia.

Paula Calil também afirmou que a Câmara Municipal seguirá à disposição dos órgãos de controle e investigação, mantendo a postura de transparência e colaboração sempre que for formalmente requisitada.

Por fim, a nota esclarece que, por se tratar de um procedimento que tramita sob segredo de justiça, eventuais esclarecimentos adicionais sobre o caso cabem exclusivamente aos órgãos responsáveis pela investigação.

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