sexta-feira, 25 setembro, 2026

Filha de Angeliquinha movimentou R$ 20 milhões em dois anos sem ter renda, revela delegado

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Segundo a Polícia Civil, Kauany Beatriz, de 20 anos, era usada no núcleo financeiro ligado à facção e tinha empresas apontadas como fachada para lavagem de dinheiro

A Polícia Civil revelou que Kauany Beatriz de Sá Silva, de 20 anos, filha de Angélica Saraiva de Sá, a “Angeliquinha”, movimentou cerca de R$ 20 milhões em apenas dois anos, apesar de não possuir renda compatível com o volume financeiro. A informação foi dada pelo delegado titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Victor Hugo Caetano de Freitas.

“A filha dela, uma menina de 20 anos, com uma renda inexistente, movimentou R$ 20 milhões na conta dela”, afirmou o delegado no vídeo encaminhado à reportagem.

A declaração traz um novo detalhamento sobre o rastro do dinheiro investigado na Operação Showdown. Quando a ação foi deflagrada, em março deste ano, a Polícia Civil havia informado que o núcleo familiar ligado a Angeliquinha movimentou mais de R$ 20 milhões em um ano e sete meses, cifra considerada incompatível com a renda declarada dos investigados. Agora, Victor Hugo atribuiu diretamente à filha da criminosa uma movimentação na mesma ordem de grandeza, considerando um período de aproximadamente dois anos.

Segundo a investigação, três empresas eram utilizadas no esquema de lavagem de dinheiro. O RepórterMT mostrou à época que duas unidades da Kauany Shoes Boutique e o estúdio Essenza Beauty, todos em Alta Floresta, foram fechados durante a operação. A polícia também investigou o uso de plataformas de jogos de azar on-line para dar aparência lícita ao dinheiro.

Kauany e o marido, Guilherme Henrique Laureth da Silva, exibiam nas redes sociais uma rotina de alto padrão, com imóveis, veículos de luxo e viagens internacionais. Conforme a Polícia Civil, esse patrimônio era incompatível com a renda declarada.

A jovem chegou a ser presa durante a Operação Showdown, mas teve a preventiva convertida em prisão domiciliar, por estar gestante e ser mãe de uma criança menor de 12 anos. A Justiça também determinou o uso de tornozeleira eletrônica e a suspensão do passaporte.

De acordo com Victor Hugo, os familiares de Angeliquinha não são apontados como executores dos crimes violentos atribuídos à facção, mas teriam atuado dando suporte à organização, principalmente na movimentação e lavagem de dinheiro e no repasse de informações.

O caso voltou ao centro das atenções após Angeliquinha ser capturada em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, na terça-feira (22), depois de permanecer mais de um ano foragida. Ela fugiu da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, em agosto de 2025, acumula mais de 260 anos de condenações e é apontada pela Polícia Civil como uma das principais lideranças de facção no extremo norte de Mato Grosso.

O delegado afirmou ainda que Angeliquinha estaria por trás de aproximadamente 80% dos homicídios praticados pela facção em Alta Floresta e cidades vizinhas, além de exercer influência sobre tráfico de drogas, circulação de armas e extorsões em áreas de garimpo.

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