Feldner acusa Trento de envolvimento em supostos crimes de corrupção e aponta ligações do empresário com atividades ilícitas no eixo Brasília-São Paulo, chegando a mencionar conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC)
Melhor que série da Netflix! O cenário político de Mato Grosso vive um capítulo que parece saído de um roteiro de suspense. O embate travado entre a delegada aposentada Ana Cristina Feldner e a deputada estadual e candidata ao Senado, Janaína Riva (MDB), tem dominado as redes sociais e gerado repercussões que vão muito além do ambiente virtual.
A disputa, que se intensificou na reta final da campanha, tem causado um desgaste visível para a candidatura de Janaína Riva. Além do impacto direto em sua própria imagem, o conflito reverbera no apoio que a deputada presta a outros nomes do seu grupo político: a candidatura do sogro, Wellington Fagundes (PL), ao governo do estado, e a da irmã, Jéssica Riva (MDB), à Assembleia Legislativa. Relatos de perda de apoio e descontentamento de eleitores têm sido observados como reflexo dessas escolhas.
O estopim da crise, segundo Feldner, foi a exclusão de seu nome da chapa como 1ª suplente. A ex-delegada, reconhecida nacionalmente por sua atuação em casos de grande repercussão, como a “Grampolândia”, afirma que a substituição ocorreu sem justificativa plausível, dando lugar ao empresário Danilo Trento. Feldner acusa Trento de envolvimento em supostos crimes de corrupção e aponta ligações do empresário com atividades ilícitas no eixo Brasília-São Paulo, chegando a mencionar conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Com um histórico de atuação firme no GCCCO, onde se notabilizou por enfrentar o desvio de dinheiro público e realizar prisões de figuras influentes da sociedade mato-grossense — incluindo um ex-secretário de Segurança Pública que, à época, era seu superior —, Feldner não tem poupado críticas. A delegada aposentada chegou a denunciar o que classifica como violência política de gênero e, em tom ácido, comparou a parlamentar, conhecida pelo apelido de “Onça”, a um “pão com ingredientes desnutridos”.
A apenas 17 dias do pleito, o confronto coloca em xeque a estratégia da campanha. O episódio traz à tona o velho adágio popular: “cutucou a onça com a vara curta”.
Do outro lado, Janaína Riva sustenta que a definição dos suplentes foi fruto de acordos políticos e que cada integrante da chapa deve responder individualmente por seus atos. No entanto, a narrativa da deputada é confrontada por informações que indicam reuniões frequentes entre ela e Trento em São Paulo desde o início do ano, levantando questionamentos sobre os bastidores e os reais motivos por trás da composição da suplência.





